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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

CONSCIÊNCIA NEGRA, MODO DE USAR (Fechando a tampa das discussões do mês)


Por NEI LOPES (Foto de Márcia Moreira)
Quando te disserem que você quer dividir o Brasil em pretos e brancos, mostre que essa divisão sempre existiu. Se insistirem na acusação, mostre que, neste país, 121 anos após a Abolição, em todas
as instâncias, o Poder é sempre branco. E que até mesmo como técnicos de futebol ou carnavalescos de escolas de samba, os negros só aparecem como exceção.

Quando, ainda batendo nessa tecla, te disserem que o Brasil é um país mestiço, concorde. Mas ressalve que essa mestiçagem só ocorre, com naturalidade, na base da pirâmide social, e nunca nas altas esferas do
Poder. E que o argumento da mestiçagem brasileira tem legitimado a expropriação de muitas das criações do povo negro, do samba ao candomblé.

Quando te jogarem na cara a afirmação de que a África também teve escravidão, ensine a eles a diferença entre servidão e cativeiro. Mostre que a escravidão tradicional africana tinha as mesmas características da instituição em outras partes do mundo, principalmente numa época em que essa era a forma usual de exploração da força de trabalho. Lembre que, no escravismo tradicional africano, que separava os mais poderosos dos que nasciam sem poder, o bom
escravo podia casar na família do seu senhor, e até tornar-se herdeiro. E assim, se, por exemplo, no século XVII, Zumbi dos Palmares teve escravos, como parece certo, foi exatamente dentro desse contexto histórico e social.

Diga, mais, a eles que, na África, foram primeiro levantinos e, depois, europeus que transformaram a escravidão em um negócio de altas proporções. Chegando, os europeus, ao ponto de fomentarem guerras para, com isso, fazerem mais cativos e lucrarem com a venda de armas e seres humanos.

Diga, ainda, na cara deles que, embora africanos também tenham vendido
africanos como escravos, a África não ganhou nada com o escravismo,
muito pelo contrário. Mas a Europa, esta sim, deu o seu grande salto,
assumindo o protagonismo mundial, graças ao capital que acumulou coma
escravidão africana. Da mesma que forma que a Ásia Menor, com o
tráfico pelo Oceano Índico, desde tempos remotos.

Quando te enervarem dizendo que movimento negro é imitação de
americano, esclareça que já em 1833, no Rio, o negro Francisco de
Paula Brito (cujo bicentenário estamos comemorando) liderava a
publicação de um jornal chamado O Homem de Cor, veiculando, mesmo com
as limitações de sua época, reivindicações do povo negro. Que daí, em
diante, a mobilização dos negros em busca de seus direitos, nunca
deixou de existir. E isto, na publicação de jornais e revistas, na
criação de clubes e associações, nas irmandades católicas, nas casas
de candomblé... Etc.etc.etc.

Aí, pergunte a eles se já ouviram falar no clube Floresta Aurora,
fundado em 1872 em Porto Alegre e ativo até hoje; se têm idéia do que
foi a Frente Negra Brasileira, a partir de 1931, e o Teatro
Experimental do Negro, de 1944. Mostre a eles que movimento negro não
é um modismo brasileiro. Que a insatisfação contra a exclusão é geral.
Desde a fundação do Partido Independiente de Color, em Cuba, 1908,
passando pelo movimento Nuestra Tercera Raíz dos afro-mexicanos, em
1991; pela eleição do afro-venezuelano Aristúbolo Isturiz como
prefeito de Caracas, em 1993; pelo esforço de se incluírem conteúdos
afro-originados no currículo escolar oficial colombiano no final dos
1990; e chegando à atual mobilização dos afrodescendentes nas
províncias argentinas de Corrientes, Entre Rios e Missiones, para só
ficar nesses exemplos.

Quando, de dedo em riste, te jogarem na cara que os negros do Brasil
não são africanos e, sim, brasileiros; e que muitos brasileiros pretos
(como a atleta Fulana de Tal, a atriz Beltrana, e o sambista
Sicraninho da Escola Tal) têm em seu DNA mais genes europeus do que
africanos, concorde. Mas diga a eles que a Biologia não é uma ciência
humana; e, assim, ela não explica o porquê de os afrobrasileiros
notórios serem quase que invariavelmente, e apenas, profissionais da
área esportiva e do entretenimento. E depois lembre que a Constituição
Brasileira protege os bens imateriais portadores de referência à
identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da
sociedade brasileira e suas respectivas formas de expressão. E que a
Consciência Negra é um desses bens intangíveis.

Consciência Negra repita bem alto pra eles, parafraseando Leopold
Senghor não é racismo ou complexo de inferioridade e, sim, um anseio
legitimo de expansão e crescimento. Não é separatismo,
segregacionismo, ressentimento, ódio ou desprezo pelos outros grupos
que constituem a Nação brasileira.

Consciência Negra somos nós, em nossa real dimensão de seres humanos,
sabendo claramente o que somos, de onde viemos e para onde vamos,
interagindo, de igual pra igual, com todos os outros seres humanos, em
busca de um futuro de força, paz, estabilidade e desenvolvimento.

Recebido de Luiz Carlos Gá, via e-mail.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

FESTA DE LANÇAMENTO DO CD DOS SAMBAS ENREDO 2010 - Grupo Especial

Fotos de Henrique Matos,
o Fotógrafo do Carnaval


Clique nos links abaixo para ouvir os Sambas:
Grande Rio
Mocidade
Beija-Flor
Imperatriz
Acadêmicos do Salgueiro
Unidos Tijuca
União da Ilha
Unidos de Vila Isabel
Viradouro
Portela
Porto da Pedra
Estação Primeira de Mangueira

LAVAGEM DA ESTÁTUA DE JOÃO CÂNDIDO [O Almirante Negro]

22 de novembro, dia da REVOLTA DA CHIBATA

Na busca de resgatar personalidades históricas de nossa sociedade que mereçam destaque entre afro-descendentes, o AGBARA DUDU iniciará este ano campanha cujo objetivo maior é trazer reconhecimento histórico a relevante figura da recente História de nosso País – JOÃO CÂNDIDO.
Por este motivo, estaremos realizando no dia 04 de dezembro próximo a Lavagem Simbólica da Estátua de João Cândido na Praça XV de Novembro, de modo a iniciar, com este ato, a divulgação para toda a sociedade da importância de João Cândido na história das conquistas de liberdades pelo povo brasileiro.
Este projeto, que ora se inicia, prosseguirá em 2010, quando se estará comemorando os cem anos da Revolta da Chibata, movimento liderado por nosso homenageado e de tão grande significado para negros e pobres brasileiros.

04 DE DEZEMBRO, 6ª FEIRA,
A PARTIR DAS 17:30 horas
ESTÁTUA DE JOÃO CÂNDIDO
Praça XV de Novembro - Centro do Rio
__________________________________________________
Realização:
GRUPO AFRO AGBARA DUDU

Apoios:
Subprefeitura do Centro
Unidade de Mobilidade Nacional para a Anistia – UMNA
MODAC
______________________________________________
Grupo afro
AGBARA DUDU

Em yorubá significa FORÇA NEGRA
FUNDAÇÃO: 04/04/82
CNPJ - 29.009.305/0001-48

Estamos contando com a sua presença e o rufar de seus tambores, para que ele ecoe em forma de "CORREIO NAGÔ".
Axé,
Vera do Agbara

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O 20 de novembro na Praça Onze

CRIANÇAS DA ESCOLA Municipal TIA CIATA
homenageiam
DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA