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sexta-feira, 16 de julho de 2010

[SP] Seminário "A trajetoria das mulheres africanas e afro-brasileira na América Latina"

Seminário:

A trajetória das mulheres africanas e afro-brasileiras na América Latina

Local:

Auditório Franco Montoro da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo – Pateo do Colégio, 148.

Quando:

dia 23 das 9h às 18h e dia 24 das 9h30 às 13h
Incrições:

pelo telefone 3113-9745 até o dia 22 de julho, às 17 horas
Programação:
Dia 23/07

09h30 - Mesa 1: História das Mulheres Africanas na América – da Colonização a Libertação, Movimentos de Resistência
Palestrantes:

Marie Laurence Jocelyn Lacegui - Ministra da Condição Feminina e dos Direitos das Mulheres da República do Haiti. (a confirmar)Magali Naves – Assessora de Relações Internacionais da Secretaria Espaecial de Política e Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR/PR.
11h – Mesa 2: Histórico das Organizações de mulheres negras na América e seus desafios e conquistas na luta pelos Direitos Humanos.
Palestrantes:

Edna Roland – Coordenadora da Coordenadoria da Igualdade Racial de Guarulhos.Ana Carolina Querino – Coordenadora da Área de Direitos Econômicos e Sociais da UNIFEM Brasil.
14h00 – Mesa 3: Mulheres Negras e Participação Política

Palestrante: Dra Cláudia Luna – Presidente da Ong. Elas por Elas – Vozes e Ações das Mulheres.
15h30 – Mesa 4: Mulheres Negras e Gestão Pública na América

Palestrantes: Roseli de Oliveira – Coordenadora da Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena do Estado de São Paulo.Vanda Menezes – Ex-Secretária da Secretaria da Mulher do Estado de Alagoas e atualmente Integrante da Rede Mulher e Democracia.


Dia 24/07
10h00 – Mesa 5: Mulheres Negras sob o impacto da Violência em suas variadas formas nas Américas.

Palestrantes: Deise Benedito – Presidente da Fala Preta e Conselheira do Conselho de Gestão da CONE.Fátima Duarte – Coordenação Estadual da União Brasileira de Mulheres
11h30 – Mesa 6: Mulheres Negras na Cultura e nos meios de Comunicação

Palestrantes: Juliana Colombo – Atriz Rosangela Malachias – Consultora em Comunicação, Educação e Advocacia Membro do Centro de Estudos e Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERTNúcleo NEINB - Núcleo de Apóio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro BrasileiroRaquel Moreno – Observatório da Mulher
13h00 – Encerramento
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Recebido por e-mail de Benedita Aparecida Pinto


terça-feira, 13 de julho de 2010

NÓS E OS OUTROS NA MÚSICA NEGRA CONTEMPORÂNEA - Carlos Negreiros


A herança africana nos ensina que o universo é uno, ligado às divindades e que no nosso planeta, essa unidade é representada pelo conjunto dos elementos de toda a natureza, que compõem o mundo em que vivemos.
No conceito afrocentrista, o homem, a terra e os deuses se compõem em um só universo , contrapondo-se ao eurocentrismo , onde Deus dispõe sobre os homens e os homens dispõem sobre a terra.
Frobenius,(1849/1917) Pensador alemão,concluiu que tanto a técnica, ciência e razão quanto a emoção , levavam a mesma percepção cognitiva..
Inspirados na mesma teoria , os pensadores Aimé Cesaire,da Martinica, Leon Damas, da Guiana Francesa e Leopold Sedar Senghor, do Senegal, que viria a ser presidente daquele Pais, criaram a teoria da Negritude que se constituia na percepção do ambiente através da sensibilidade e a constatação através da técnica.. Na mesma linha, em Cuba, Alejo Carpentier e Nicolas Guillen criaram a teoria que denominaram Negrismo.
Na mesma época Franz Fanon(1925-1961) concluiu que o racismo não era mais ligado a característica física e sim se constituía na interferência na forma de existir tendo a exclusão cultural ou colonização de mentalidade como condição para se adquirir visibilidade.
Em 1968, Senghor que era membro do comitê organizador do Festival de lagos, na Nigéria, visitou a Orquestra Afro Brasileira que era dirigida pelo meu mestre, o Maestro Abigail Moura e que tinha como sede a Radio MEC . Na ocasião nos explicou de forma simples a sua teoria com o exemplo da cadeira, dizendo:”se pedirmos para um nórdico dizer onde esta sentado, ele responderá : um objeto de 4 pés que sustenta um acento e um encosto. Se fizermos a mesma pergunta a um africano, terá como resposta: sinto que estou sentado em uma cadeira. Cognitivamente, ou seja, pela percepção do corpo, os dois entrevistados chegaram a mesma conclusão.
Todas essas considerações servem como embasamento para a explanação do tema” Nós e os outros na musica negra contemporânea” de que trata esse artigo
Há uma diferença marcante na percepção do conteúdo da musica negra, entre nós, que a produzimos, muitas vezes inspirados em melodias perenizadas na tradição afro brasileira , colocando a linguagem do tambor de forma soberana e presente e nos levando , como conseqüência. à sensação de estar tocando por fora e cantando e dançando por dentro . Em contrapartida, os produtores que normalmente a viabilizam no mercado do Brasil oficial. , utilizando esse manancial apenas como uma reserva em que pode extrair aleatoriamente fragmentos que vão servir de material descartável para alimentar, como novidade momentânea e exótica o mercado , impondo modelos oriundos de uma realidade totalmente descomprometida com a nossa cultura.
As vozes percussivas que é um conceito que desenvolvi. a partir de muitos anos de observação dos tambores afro brasileiros,oriundos dos campos religiosos e ou lúdicos, guardam semelhanças em sua formação. Apresentam nas regiões agudas e médias células rítmicas que se repetem e conversam entre si e o intervalo entre elas é em torno de uma terça . A região média pode ainda incluir no seu discurso elementos da aguda e finalmente o grave que é totalmente livre podendo, inclusive, utilizar as células de qualquer região em seu discurso. É ele que pontua os fatos importantes da historia que está sendo contada e o intervalo com relação aos médios e em torno de uma quarta . Para conseguir determinar as alturas usamos como modelo a escala de Dó(C) e consideramos o grave como o número um.
Nketia kwabena em seu estudo comparativo das linguagens da áfrica abaixo do Saara chegou a conclusões que se aplicam também a nossa realidade cultural,citando por exemplo que: ” Algumas vezes a melodia é construída a partir do som e do ritmo produzido pelos tambores ou ainda que entre as escalas musicais mais usadas estão as pentatônicas e hexatônicas” .Essa organização pode ser considerada como identidade.na ancestralidade e na musica moderna tanto lá quanto aqui.
Na mesma linha está a afirmação contida na pesquisa que Roberto Mendes fez em parceria com Waldomiro Junior sobre a chula de Santo Amaro, na Bahia. ” A chula está na raiz da musicalidade brasileira e é genuinamente africana....O lamento das modinhas portuguesas por sobre a liberdade da harmonia percussiva africana, gerou uma musica única que é matriz de vários gêneros da musica brasileira com característica afro descendente”
O Brasil oficial sempre se espelhou na cultura euro centrista .Sabemos que do final do Séc XIX até meados do séc XX a cultura francesa era status e símbolo e civilização. Os saberes e hábitos do povo eram considerados fora dos padrões de civilidade. Essa visão ainda hoje influencia o reconhecimento e respeito pela nossa produção cultural .
A cultura popular é dinâmica e se adapta às transformações do seu tempo,sem perder a essência.Cunhei a frase “Quem tocava para o santo tocava para o samba” que foi reproduzida muitas vezes em comentários feitos por formadores de opinião, principalmente por ocasião dos desfiles das Escolas de Samba.
Na época em que os meios de comunicação eram limitados. O samba e o santo, ambos excluídos se misturavam nas manifestações do povo invisível. Na medida em que aumenta a comunicação com a entrada da industria fonográfica,televisão grandes festivais,formação e desenvolvimento de grupos interessados em política social, e na pesquisa envolvendo o Brasil real, a invisibilidade sobre a nossa produção cultural diminui .
Aí, entra em cena o filtro. Os donos dos meios de produção que vieram o Iê, Iê, Iê, e de outros modismos, condicionam e limitam a criação, impondo e construindo estereótipos, em formatos direcionados para o mercado norte americano, apresentados como modelos representativos da cultura afro descendente .Alguns poucos escapam. Citamos como exemplo do Compositor, arranjador e musico de alto nível Moacir Santos ,recentemente falecido , Martinho da Vila, e outros poucos que representam um percentual ínfimo do universo da criação da nossa musica ,.”Tá legal, eu aceito o argumento/Mas não me altere o samba tanto assim/ Olha que a rapaziada está sentido a falta/ Do cavaco do pandeiro e de um tamborim” (Paulinho da Viola.)
Com a intensificação da globalização e a democratização da internet tudo fica mais rápido e a dinâmica da cultura popular que se recria assimilando e transformando o que lhe chega, sem perder a essência, se revela incapaz para absorver tamanho volume de informação.
Por questões sócio-econômicas, nos locais carentes, onde o negro é maioria a inclusão digital é mais lenta e ou ausente. Nesses locais a produção cultural , embora seja influenciada pela mídia globalizada, incorpora, em conteúdo e forma, componentes ligados às manifestações que antes existiam e que permanecem ligadas cognitivamente ao individuo . Percebemos então no Ragae, funk, Hip Hop,Rap,street dance, a mistura com o samba, com o ritmo congo ou com a dança afro e samba nas coreografias . Nas manifestações em áreas rurais ou regiões fora do eixo Rio S. Paulo a colocação de instrumentos estranhos à formação tradicional, também é usada na tentativa de se inserir no mercado globalizado. È uma usina de transformação usando o velho para criar o novo.
Na geração Y que é aquela nascida nos anos 80, em ambiente cibernético, com valores diferenciados e sentido lógico estimulados pela linguagem dos computadores a percepção é rápida e não mais pelo corpo como um todo. Como conseqüência , a capacidade de absorção e utilização da informação bem como o descarte do que julga imprestável passa a ser rápida e natural.
Mais uma vez aparece o filtro. Só que mais sofisticado e frio. Ainda os donos dos meios de produção, de mídias, divulgação e controle dos mercados ,que tiveram acesso pleno as novas ferramentas e técnicas da computação, permanecem na posição de senhores absolutos . A criação entra. O criador fica de fora e não tem controle do produto que será gerado e nem da comercialização da sua obra em larga escala
O que fazer? Para onde ir?
Buscar ações governamentais no sentido de:
Incentivar pesquisa acadêmica envolvendo produção cultural e mercado para musica de essência negra do Brasil
Capacitar e desenvolver os membros das comunidades e núcleos produtores da nossa musica em particular e cultura afro descendente no geral ,para que possa participar em todos os estágios da produção a comercialização do produto.
Criar no Curso de capacitação digital uma linha que explore todos os aspectos dos novas mídias envolvidas com a produção e comercialização de produtos musicais pela internet, deixando o aluno pronto para desenvolver essa atividade em sua comunidade ou núcleo. São apenas algumas sugestões que refletem o desejo de ver o nosso povo orgulhoso da sua negritude.
“ Reuni o em mim restava/E gritei meu grito sem fim que ecoará pelo tempo
Nós somos como o sol!/Nós somos como o vento!
E nada poderá impedir a nossa presença”



Carlos Negreiros

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ação Urgente: Recuperação do IPDH

Com lamento profundo, informamos que o prédio do Instituto Palmares de Direitos Humanos – IPDH sofreu incêndio no último sábado, 10 de julho, às 20h.

Não houve vítimas e ainda não se sabe a causa. Pelo que conseguimos saber foi afetado, praticamente, todo o terceiro andar, inclusive com a queda do telhado.

De valor histórico e cultural inestimável, o acervo de Rubens Barbot que estava hospedado neste andar sofreu perda total, inclusive o figurino de espetáculo em preparação.

Nos andares abaixo não houve fogo, mas a água usada no trabalho dos bombeiros, minou todo o material da instituição que completou 20 anos, em 2009: arquivos, biblioteca, equipamentos...
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Pelo dia de ontem e de hoje, quando nosso coração se aperta um pouco mais, também pela passagem de Lélia Gonzalez ao Orum, há 16 anos, rogamos que você fique atento/a aos desdobramentos sobre aquela fatalidade com o IPDH para que possamos articular uma AÇÃO CONCRETA e URGENTE para a recuperação da casa.

Todas as iniciativas são válidas e importantes. Se puder pensar sobre alguma disponibilidade financeira e contatos com políticos e autoridades dos governos, em nível municipal, estadual e federal será fundamental.







Solicitamos que encaminhe sua/s proposta/s para os endereços de e-mail: Luiz Carlos GÁ; com cópia para Ana Paula Venâncio – IPDH .

Continuaremos a dar notícias.

À Catarina de Paula, Presidente; aos demais Membros e Conselheiros nossa solidariedade.

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Recebido de MEMORIAL LÉLIA GONZALEZ, via e-mail